Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente. (John Donne)

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007


a Mari

Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.

Pablo Neruda


ERRA UMA VEZ

Do Paulo L.

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007




dia do lançamento do livro.
dedicatórias, emoções e poesia


Reportagem lançamento do livro

Há em “O Fim do Silêncio” - a obra de estréia de Raul Marques - alguma dose do desassossego já dito por Pessoa; mas há também esperança, apego às pequenas coisas que valem a pena na vida. Pode ser pessimista a primeira impressão que a leitura desperta, mas o olhar do poeta também aponta para o que há de bom, e que talvez só a poesia seja capaz de fazer emergir. O lançamento de “O Fim do Silêncio” acontece hoje, às 20h, no Centro Cultural. O livro é o passo final de um projeto iniciado há três anos por Marques, no rabisco dos primeiros versos. “Foram mais de 300 poesias para chegar às 68 que compõem a obra”, explica. Já o título é uma resposta ao tempo de espera das pessoas próximas ao jovem poeta, que sabiam de sua produção, mas não tinham acesso a ela. “Esse agora é o fim do meu silêncio”, diz. Raul Marques é jornalista e desde 2004 trabalha no Diário, na editoria de Cidades, sendo responsável por projetos importantes como o Diário nos Bairros.

A literatura, portanto, representa uma nova forma de o repórter lidar com a palavra. “No jornal lido com o efêmero, com o passageiro; na poesia há oportunidade de lidar com o universal. É a forma que encontrei de me expressar, de colocar para fora o que incomoda, resolver dilemas que aparecem no dia-a-dia”. diz. “A poesia é o lado B da objetividade a todo instante do jornalismo”. O repórter do Diário enxerga como utópica a satisfação plena do poeta com a própria obra. Tanto que, durante a produção, Marques fez várias “visitas” aos poemas, a fim de lapidá-los, até que foi preciso frear, pois esse seria um processo sem fim. “Foi o Borges quem disse que um escritor só publica a obra para se livrar dela. É algo angustiante mesmo, nunca está bom o suficiente”. Marques chega ao primeiro livro cinco anos depois de descobrir a poesia - e deixar-se envolver por seu estranhamento. Foi durante a faculdade. Antes, sua experiência de leitura vinha tão somente da prosa.

Aprecia os obrigatórios Bandeira e Drummond, mas suas referências são outras. “A primeira é o Mário Quintana, pela simplicidade; a segunda é Fabrício Carpinejar, por sua concisão no uso das palavras. São coisas que busco quando escrevo: simplicidade e concisão, dizer mais em menos”, comenta o poeta. Aos 25 anos, Marques espera que “O Fim do Silêncio” seja um divisor de águas, que esta seja a primeira de várias obras. Nascido em São Paulo, Marques morou na metrópole até os 19 anos, quando a família se mudou para Bady Bassitt. Estudou Jornalismo na Unilago. O poeta tem uma preocupação de não se prender a estilos, às métricas “aprisionadoras” da velha poesia. Como em toda atividade, Marques aposta na prática para o aprimoramento. No caso da literatura, porém, o exercício é também a via indissociável para definir o estilo próprio. “Você sabe de onde você parte - mas não até onde pode ir”.


Poesias:


Ode ao não sincero

Quero o não; o não mais seco, áspero,
o que dói como soco no estômago.
Quero o não que desmonta, desestabiliza,
faz-me sentir o pior, até com possibilidade de recuo.
Quero o não mais direto, sem meias-expressões,
explicações imprecisas, eufemismos tolos.
Só me interessa o não proferido de uma vez,
capaz de acabar com sonhos de décadas
ou até resultar em féretro.
Quero o não desesperado, pornográfico, manchado,
sem açúcar, preparo ou aviso prévio.
Todos os nãos possíveis:
nada de afirmativa por conveniência.

Em frente

Ando por caminhos bem iluminados.
Nada de beco,
nada de rua sem saída,
nenhuma travessa.
No bolso, somente os endereços
aonde não pretendo voltar.


enchente

O silêncio foi necessário
para ouvir aquela voz que sopra dúvidas, pondera.
E empata as questões polêmicas.
Depois da seca, a enchente.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006


hoje

Nada de nuvens perto da minha cabeça
nem pedras pelo chão

Há amor em tudo que vejo.

Terça-feira, Agosto 15, 2006


Retorno

O meu primeiro livro, de poemas, será lançado em setembro....
a data e o local serão confirmados em breve...
Espero vcs...

Quarta-feira, Agosto 02, 2006


A Fábula - tudo que é sólido desmancha no ar

Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era uma gráfico

Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos

Cá pra nós, tudo era muito chato
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar
Todos nós sabíamos decor
Como tudo começou e como iria terminar

Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal

Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula


Drummond e suas sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás das mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


livro

em setembro devo lançar o meu primeiro livro...
data: a confirmar...

Terça-feira, Julho 25, 2006


EXTRA! EXTRA! EXTRA!

Poeta até então sem publicação
lança primeiro livro

O título da pequena obra artesanal, “o fim do silêncio”, representa muito mais
que as palavras podem dizer... é a abertura de uma janela bem particular, ainda posicionada estrategicamente para a rua, em pleno século 21 - para contrariar tudo e todos.

Representa levar adiante um projeto de vida, não um projeto comercial somente... poesia não se vende, poesia emociona... é luta constante contra o desamor.

É o começo... sem pensar em fim... só fazer... pegar a rodovia sem se preocupar onde termina, onde vai dar, quantos litros de gasolina serão consumidos. O radar está desligado... quero somente voar...

Quem nunca escreveu poesia que atire o primeiro verso...

...


tempo distante

mais de um mês sem atualização...
às vezes o silêncio é necessário...
para refletir...
ouvir a voz que vem de dentro...
e saber o que, de fato, fazer...

Quarta-feira, Julho 05, 2006


vida

A MINHA VIDA SE DIVIDE EM DUAS ETAPAS:

A.M.
D.M.